Sentir é viver – em busca da perfeição.

Fernando Pessoa escreveu:

“Tenho pensamentos que, se pudesse ser revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e o maior amor ao coração dos homens.”

Através desse escrito, hoje quero conversar com você sobre o porque, na maioria das vezes não nos revelamos ao mundo, nos limitando a sermos pessoas puramente racionais, diminuindo ou até mesmo calando as nossas emoções. Muitas vezes não nos permitimos dar voz aos nossos sentimentos, mesmo que isso mais tarde intimamente nos cause culpa o arrependimento.

Mas por que isso acontece com a maioria de nós?

Bem, como seres sociais que somos, temos a necessidade do pertencimento, ou seja, temos e necessidade de ser aceitos por outras pessoas que convivem conosco.

Quando não nos sentimos pertencente a algo, a nossa tendência é nos sentirmos rejeitados, solitários, o que pode mexer com o nosso auto amor, fazendo com que tenhamos uma baixa autoestima, uma baixa autoestima.

Então, para que sejamos aceitos por aqueles que consideramos importantes nos sujeitamos muitas vezes a calarmos nosso sentimento e passamos a viver segundo as regras de um grupo da qualquer do qual queremos fazer parte.

Com o tempo, muitos de nós passamos, paramos de escutar sua voz interior. aquela que tenta mostrar a existência de outras possibilidades e segue, sem questionamentos ou críticas, o caminho traçado pela coletividade na qual está inserido. Este fato pode lhe confortar por toda a sua vida e sua jornada será pautada pelas vontades e decisões coletivas.

Essa pessoa se sentirá, na maioria das vezes, inserida, segura e plena, na certeza de que todo mundo faz é porque está certo e é assim que as coisas são.

Mesmo que lá no fundo da sua alma, ela sinta um pequeno vazio, uma certa incerteza de seus valores. Um ligeiro desconforto em relação ao que vivencia, porém, em poucos segundos, ela realinha seus sentimentos. usando de um racionalismo breve que enaltece, ratifica suas atitudes atuais. E assim, perdida entre a multidão ela segue guerreando por ser cada vez mais retratada por seu status, glamour e posses.

Ela não percebe que entrou numa competição sem fim, onde cada vez mais afastada de seus reais sentimentos e valores, passa a buscar, sem quimera, uma ilusão, num caminho interminável de ter para encontrar seu ser. Esse caminho, com o passar do tempo, pode se tornar bastante cruel. Onerando, sobremaneira a pessoa que por ele adentra.


Mas aí você me pergunta por que este caminho é cruel se milhares, milhões de nós vivemos assim.

E eu te respondo: este caminho torna se cruel, porque ao longo do tempo ele pode se tornar insaciável para o ter. E para o ter não existe limites, Sempre existirá um objeto mais atual, um lugar melhor, uma aparência mais moderna, etc. E para se sentir bem, vamos querer sempre estar no topo de todo esse ter. Atitude essa que muitas vezes poderá custar nosso sono e nossa saúde, a nossa vida.

E aí, um dia acordaremos nos sentimos uma máquina de ter, não sabendo mais quem de fato somos, perdidos na ilusão de que temos o que há de melhor.

Mas aí eu me pergunto: por quê, apesar de ter tudo o que tenho, ainda sinto, lá no fundo, aquele vazio que insiste em não se calar?

A meu ver, essa resposta é simples: esse vazio continua a minha alma, porque coisas materiais não preenchem o espaço de valores morais.

E mais cedo ou mais tarde, todos nós vamos precisar desse equilíbrio entre valores materiais. em valores morais, ambos nos dando uma melhor condição para usufruirmos de nossa vida de maneira mais plena, mais livre.

Vamos realizando novas conquistas materiais, dentro da nossa própria individualidade, ou seja, dentro dos limites do que realmente importa para cada um de nós. Você quer exemplos disso: se esforçar pela realização de um sonho, por mais diferente que ele possa parecer para a maioria das pessoas com as quais você convive, mesmo que isso signifique ter que abrir mão de valores que estão na moda, como um celular novo, um carro mais novo, uma viagem de férias, e assim por diante. Nesse ponto, começamos a sentir nossa individualidade aflorar e passamos a escutar nossa voz interior que, como boa conselheira que é, ajusta nossa rota existencial para aportarmos onde queremos, não onde a maioria quer.

Quando despertamos para essa forma do sentir, na maioria das vezes, entramos em um caminho sem volta, porque quando nossa consciência se expande dificilmente ela ela se retira.

Uma vez mais, despertos, necessariamente. Não precisamos nos afastar do meio que vivemos. Podemos criar uma consciência de harmonia, entendendo que na natureza tudo tem seu tempo de maturação. Se passamos para outra fase de nossa vida, de modo espontâneo é porque vivenciamos e esgotamos todo o ensinamento que a fase anterior poderia nos fornecer.

O que podemos então aprender com tudo isso?

Podemos entender que todas as vezes que nosso interior se mostrar insatisfeito com o nosso modelo de viver e agir, precisamos dar voz a esse sentimento e realinhar nossa trajetória para uma forma que para nós será mais confortável, sem muitas preocupações com as opiniões alheias.

Devemos lembrar que respeito é algo que sempre devemos oferecer a todas as pessoas e coisas na nossa vida, principalmente nós mesmos. Quando eu me respeito eu passo a descobrir o meu mundo interior, meu verdadeiro eu, deixando de necessitar tanto de aprovação alheia e é exatamente neste momento que entramos no caminho do autoconhecimento.

E nesse ponto de nossas vidas. entendemos que a viagem do autoconhecimento é cheia de emoções e grandes aventuras, mas isso é papo para outro podcast. Aguardo você lá.

Caritas Elizabeth é psicóloga com mais de 20 anos de experiência. Apaixonada pela vida e pela experiência de Ser e sentir tem se dedicado a atender os que precisam de uma orientação. Sempre com o coração aberto e a Alma Livre conduz a pessoa na jornada a Si Mesmo.